Saúde mental dos homens exige atenção e menos julgamento
Psiquiatra explica por que homens procuram menos atendimento e alerta para sinais de depressão e ansiedade que exigem atenção profissional
Os homens ainda procuram menos atendimento médico, especialmente na área da saúde mental. Em muitos casos, a busca por ajuda ocorre apenas quando os sintomas já comprometem a rotina, o trabalho e a saúde de forma mais intensa, o que dificulta o tratamento e a recuperação.
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Homens ainda demoram a buscar atendimento em saúde mental, muitas vezes apenas quando os sintomas já afetam a rotina. Psiquiatra alerta para estigma, dificuldade de reconhecimento dos sinais e reforça que tratamento é possível e necessário.
De acordo com o psiquiatra e doutor Alexandre Balestieri Balan, esse comportamento está diretamente ligado a fatores culturais e ao medo do julgamento social. Segundo ele, muitos homens só procuram tratamento quando o quadro já se agravou.
“Os homens procuram menos atendimento. O homem acaba procurando ajuda, procura tratamento quando a situação está mais grave, quando já está atingindo de uma forma mais intensa o seu cotidiano e a sua saúde, de forma geral. Então geralmente eles chegam quando o caso está mais agravado”, afirma.

Além disso, a chamada masculinidade tradicional, que valoriza força e autossuficiência, ainda dificulta o reconhecimento da vulnerabilidade emocional. Esse padrão, segundo o médico, contribui para que muitos homens adiem o cuidado com a saúde mental.
Outro obstáculo importante é o estigma associado aos transtornos mentais. O medo do rótulo ainda afasta pacientes do tratamento. “O medo de ser visto como louco, como fraco, como instável. As pesquisas citam isso, que os homens têm esse medo de procurar tratamento, de procurar ajuda, e essas são algumas das coisas que são citadas por eles”, explica.
Quando procurar ajuda
Além do preconceito, muitos homens enfrentam dificuldade para identificar os primeiros sinais de sofrimento emocional. Em diversos casos, o próprio paciente não reconhece a necessidade de buscar o apoio de um profissional da saúde.
“Geralmente demoram a perceber que merecem procurar ajuda para enfrentar aquela situação”, destaca o psiquiatra.
Segundo Balan, a disfunção surge como um dos principais sinais de alerta, quando o comportamento e a rotina passam a sofrer impactos por um período prolongado. Ele explica que, nos casos de depressão, os sintomas precisam persistir por pelo menos duas semanas.
“Os sintomas têm que durar um certo tempo. Para a depressão, por exemplo, nós colocamos um tempo de corte de duas semanas. Se há duas semanas ou mais, a pessoa está, na maior parte do tempo, disfuncional. Não consegue render no trabalho, tem dificuldade para dormir, por exemplo. Isso causa um sofrimento importante, são sinais que devemos ficar atentos”, alerta.
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A ansiedade também aparece com frequência entre homens, mas muitas vezes é confundida com estresse passageiro. A diferença, segundo o médico, está na duração e na intensidade dos sintomas.
“Situações de estresse também podem desencadear quadros de ansiedade. Para a ansiedade generalizada, por exemplo, esse tempo de corte é de seis meses. Há seis meses a pessoa apresenta preocupação excessiva, tensão muscular, angústia, medo de que algo ruim aconteça a qualquer momento, sintomas gástricos e, às vezes, sensação de aperto na garganta”, detalha.
Para o psiquiatra, mudar a forma como a sociedade encara a saúde mental é essencial para ampliar o acesso ao tratamento. Ele reforça que o diagnóstico não define a pessoa.
“Não somos a doença, e sim alguém que está doente e pode se curar. O tratamento é possível e necessário”, conclui.