Calor do verão exige atenção redobrada com a saúde dos idosos
Ondas de calor elevam em 25% as internações de pessoas acima dos 60 anos, especialmente no litoral
O verão de 2026 começou com temperaturas elevadas em Santa Catarina e acendeu o alerta para os cuidados com a saúde da população idosa. O calor intenso, aliado à umidade característica do litoral, aumenta os riscos de desidratação, agravamento de doenças crônicas e elevação no número de internações hospitalares entre pessoas com mais de 60 anos.
Dados do Sistema Único de Saúde indicam que ondas de calor elevam em cerca de 25% as internações nessa faixa etária. No litoral, o risco é ainda maior, já que a exposição ao sol intenso dificulta a regulação da temperatura corporal. Entre as condições que exigem mais atenção durante o verão estão a insuficiência cardíaca e os problemas renais, como explica o geriatra do Hospital São Marcelino Champagnat, doutor Clóvis Sequinel.
“Doenças que talvez exijam maior cuidado a gente poderia pensar, talvez na insuficiência cardíaca. Porque ela aumenta um pouquinho o esforço do coração. As questões de doenças renais pensando numa ingesta menor de líquido levando uma insuficiência renal e pré-renal e algumas alterações hidreletrolíticas.”
O médico também chama atenção para os cuidados com pacientes diabéticos e com doenças reumatológicas, que podem apresentar maior sensibilidade durante os períodos de calor intenso.
“O paciente diabético pode ter um pouquinho mais de complicação, por vezes a alimentação não adequada durante o verão. E os pacientes que têm alguma doença reumatológica por vezes eles têm falta de sensibilidade, então o sol acaba causando um desconforto nesse perfil de paciente.”
Nos dias mais quentes, atitudes simples ajudam a prevenir complicações, como manter uma boa hidratação, escolher roupas leves e evitar a exposição direta ao sol nos horários de maior intensidade.
“Mesmo se não estiver sentindo sede, é importante que beba bastante líquido, evitar exposição solar, principalmente entre o horário do meio-dia das 11h até as 17h. É importante ficar em locais mais ventilados, preferência por roupas mais leves e cores mais claras.”

O doutor Clóvis Sequinel também orienta que os idosos façam pausas ao longo do dia e fiquem atentos aos sinais iniciais de desidratação e insolação.
“Depois do almoço por vezes é interessante tirar um descanso, observar sinais de desidratação. Então, se começar a ficar com a boca seca, a urina mais concentrada com uma cor mais escura. Se estiver com tontura, cansaço, é importante que a gente observe isso de uma forma diferente.”
Segundo o geriatra, a insolação pode trazer consequências graves para a pessoa idosa se não for identificada a tempo.
“Cuidado com o sol, porque a insolação, para a pessoa idosa, pode levar a desfechos negativos.”
Em relação à saúde cardiovascular, o especialista reforça a importância de manter o tratamento em dia, realizar aferições regulares da pressão arterial e procurar atendimento médico diante de qualquer sinal de mal-estar durante os períodos de calor intenso.