Santa Catarina registra alta nos casos de dengue

Santa Catarina acendeu o alerta para a dengue neste início de 2026. O Estado já registra mais de mil casos prováveis da doença em 90 municípios, além de mais de 66 mil focos do mosquito Aedes aegypti. Ao todo, 184 municípios estão infestados, cenário que eleva o risco de novos surtos com o aumento das chuvas e das temperaturas.

O avanço da dengue em Santa Catarina preocupa as autoridades de saúde. Segundo o superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde, doutor Fábio Gaudenzi de Faria, as condições climáticas recentes favorecem a proliferação do mosquito transmissor.

Mosquito Aedes aegypti pousado sobre a pele humana durante alimentação, evidenciando o risco de transmissão da dengue e outras arboviroses.
Mosquito Aedes aegypti. Foto: Divulgação / ACAERT

“Com o regime de chuvas aumentando como a gente tem visto nessas últimas semanas, a gente aumenta a população do Aedes aegypti e com isso a gente sabe que aumenta o risco de transmissão de dengue, chikungunya.”

Os casos concentram-se principalmente nos municípios do litoral catarinense, mas a região Oeste também começa a registrar ocorrências, o que foge do padrão observado em anos anteriores.

“Principalmente nos municípios da faixa litorânea, município de Itajaí, município de Camboriú, Florianópolis, Joinville, são municípios que têm aí um número já de casos que começam a chamar a atenção. Mas também a região Oeste do Estado, embora sejam municípios menores, acabam tendo volume menor de casos, mas, ao mesmo tempo, também chama a atenção, porque não era o perfil que a gente via muito nos últimos anos.”


Por Dr. Fábio Gaudenzi de Faria Superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde

Segundo o superintendente, historicamente, os surtos iniciavam pelo litoral e avançavam para o Oeste apenas entre os meses de março e maio. No entanto, em 2026, o cenário começa a se desenhar mais cedo, ampliando a preocupação das equipes de vigilância.

“A gente via sempre as epidemias, a temporada de dengue começando pelo litoral e mais de março, abril, maio, principalmente de casos na região Oeste, mas que a gente já começa a detectar e traz toda essa preocupação.”

Para conter a proliferação do mosquito, a Secretaria de Estado da Saúde implantou a borrifação residual intradomiciliar, técnica que consiste na aplicação de inseticida nas paredes internas de imóveis considerados estratégicos. O efeito do produto pode durar até quatro meses.

Profissional com equipamento de proteção individual realiza aplicação de inseticida em parede de garagem, como parte de ação de controle do mosquito Aedes aegypti.
Secretaria de Estado da Saúde implantou a borrifação residual intradomiciliar. Foto: Reprodução / SES

“Quando o inseto pousa na parede ele tem contato com esse inseticida e ele acaba morrendo.”

Apesar das ações do poder público, o superintendente reforça que o combate à dengue depende, principalmente, da participação da população, com cuidados simples no dia a dia.

“A máxima que a gente sempre fala é, não tendo água parada, a gente não vai ter o criadouro do mosquito.”

Ele destaca a importância da atenção a locais como calhas, caixas d’água, quintais e ambientes de trabalho.

“É que a gente observa nossas calhas, nossas caixas d’água, o nosso quintal, o nosso local de trabalho, que são muitas vezes muitas pessoas trabalhando em determinado local, mas que ninguém para cuidar ali daquele ambiente.”

A Secretaria Estadual da Saúde mantém ações permanentes de enfrentamento às arboviroses, com apoio técnico aos municípios e campanhas de imunização. Atualmente, a vacina contra a dengue está disponível em 100 municípios de várias regiões do Estado, destinada a adolescentes de 10 a 16 anos.

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