Exportações do agro catarinense ganham força com acordo União Europeia-Mercosul
O avanço do Acordo União Europeia-Mercosul abre novas perspectivas para o agronegócio de Santa Catarina. Com exportações que ultrapassam US$ 765 milhões em 2025, o Estado chega a esse novo cenário com papel de destaque no comércio agroindustrial com o mercado europeu, especialmente nos segmentos de carnes de frango, madeira, tabaco e móveis.
Atualmente, a União Europeia figura entre os principais destinos dos produtos agroindustriais catarinenses. Países como Holanda, Bélgica, Alemanha e França concentram parte relevante das compras, sobretudo de itens com maior valor agregado. Nesse contexto, o acordo surge como uma oportunidade estratégica para ampliar a presença de Santa Catarina no comércio internacional.

Segundo o Analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Roberth Andres Villazon Montalvan, o desempenho catarinense reflete a capacidade do Estado em atender mercados exigentes.
“Esse desempenho reflete não apenas a qualidade dos produtos catarinenses para suprir mercados exigentes e rigorosos, mas também a importância da diversificação de mercados diante de restrições comerciais em parceiros tradicionais”, afirma.
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Além disso, o cenário internacional reforça a relevância do mercado europeu. Com o aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos, a União Europeia ganha ainda mais peso na estratégia de internacionalização do agro catarinense. Dessa forma, o acordo tende a fortalecer relações comerciais já consolidadas e abrir novas frentes de negócios.
Apesar da assinatura do tratado, o processo ainda exige etapas formais. O acordo precisa passar pela ratificação dos parlamentos nacionais dos países envolvidos. Conforme explica o analista, os impactos práticos não devem ocorrer de forma imediata.
“A assinatura do acordo da União Europeia com o Mercosul nos próximos dias constitui um marco político relevante, mas sua efetivação depende ainda de ratificação parlamentar e de adequações regulatórias, o que projeta impactos apenas não no médio ou longo prazo”, destaca.
Projeções do cenário futuro
De acordo com a avaliação técnica, os efeitos mais concretos devem surgir a partir do segundo semestre de 2027. Até lá, o setor produtivo precisará avançar em adequações regulatórias e técnicas para atender às exigências do mercado europeu. “Adicionalmente, permanecem desafios relacionados às barreiras não tarifárias e à competitividade setorial”, completa Montalvan.
Mesmo antes da ratificação total, o acordo pode permitir a aplicação provisória de algumas medidas, como a redução de tarifas, desde que haja consenso entre os países signatários. No entanto, o analista ressalta que as tarifas não são o único obstáculo. Barreiras técnicas continuam a limitar o acesso de determinados produtos, como ocorre no mercado europeu de mel.
O avanço do Acordo União Europeia-Mercosul exige planejamento, adaptação e estratégia para que Santa Catarina consiga aproveitar as novas oportunidades e enfrentar os desafios regulatórios do comércio internacional.
“Diante desse cenário, a União Europeia permanece como eixo central da estratégia de internacionalização do agronegócio catarinense, com potencial de ampliação progressiva de participação no médio longo prazo, especialmente com o avanço das tratativas do Acordo União Europeia-Mercosul”, conclui o analista.
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