Pesquisa da FGV mostra que mais da metade dos trabalhadores não vê risco de perder emprego ou renda
Uma pesquisa recente da Fundação Getulio Vargas (FGV) — por meio do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) mostra que 53,8% dos trabalhadores brasileiros ocupados consideram improvável ou muito improvável perder o emprego ou a principal fonte de renda nos próximos seis meses. Os dados constam na terceira edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho, divulgada no terceiro trimestre de 2025 e baseada na Sondagem de Mercado de Trabalho.
O levantamento, que analisa a percepção dos trabalhadores sobre a estabilidade no mercado, indica ainda que 16,6% acreditam que é provável ou muito provável que possam perder o emprego ou a renda principal a curto prazo. Outros 29,7% não souberam avaliar a situação, possivelmente em função da incerteza econômica.
Ligações entre renda e segurança
Os resultados também revelam uma relação entre faixa de renda e percepção de segurança no trabalho: aqueles com rendimentos mais elevados têm uma maior sensação de estabilidade. Entre trabalhadores que recebem mais de três salários mínimos, 62,4% consideram improvável perder o emprego ou a renda, enquanto esse percentual cai para 32,6% entre quem ganha até um salário mínimo por mês.
Especialistas do FGV IBRE observam que a sensação de segurança no emprego está alinhada ao cenário de mercado de trabalho aquecido no Brasil em 2025, com taxas de desemprego em níveis historicamente baixos, o que contribui para um sentimento de proteção entre os trabalhadores. No entanto, a perspectiva de desaceleração da economia brasileira pode alterar essa percepção nos próximos meses.
O que são os Indicadores de Qualidade do Trabalho
Os Indicadores de Qualidade do Trabalho são elaborados a partir da Sondagem de Mercado de Trabalho (SMT), uma pesquisa mensal do FGV IBRE que coleta informações diretamente com trabalhadores de diferentes regiões e perfis socioeconômicos no país. A cada mês são divulgados dados sobre diversos temas, como satisfação no trabalho, proteção social, renda suficiente, percepção geral sobre o mercado de trabalho e expectativas para os próximos meses.
A divulgação desses indicadores oferece um retrato mais detalhado das condições e percepções do trabalho no Brasil, complementando outros dados oficiais sobre emprego e desemprego, e ajuda a informar empregadores, formuladores de políticas públicas e a própria sociedade sobre a dinâmica do mercado de trabalho.
