Santa Catarina registra recorde de exportações em 2025
As exportações de Santa Catarina cresceram 4,4% em 2025, alcançando US$ 12,2 bilhões e estabelecendo um novo recorde histórico. O resultado positivo ocorreu mesmo diante de um cenário internacional adverso, marcado por barreiras tarifárias e restrições sanitárias que afetaram importantes mercados compradores do Estado.
De acordo com dados do Observatório Fiesc, os dois principais destinos das exportações catarinenses registraram queda ao longo do ano. As vendas para os Estados Unidos recuaram 15,75%, enquanto as exportações para a China diminuíram quase 7%.
O economista-chefe da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Pablo Bittencourt, explica que os impactos foram distintos conforme o mercado. “No caso dos Estados Unidos, as exportações caíram por tarifas mais altas, e no caso da China, por barreiras sanitárias”, afirmou.
Segundo ele, o setor de madeira, fortemente direcionado ao mercado norte-americano, foi um dos mais afetados. “As exportações de madeira, que são as mais impactadas para os Estados Unidos, não se recuperaram. A gente teve um impacto significativo, com efeito, econômico direto nas regiões exportadoras do Planalto Norte e Serrana”, destacou.
Já no caso da China, a queda foi puxada principalmente pelas exportações de aves. Ainda assim, o desempenho geral do setor foi compensado pela capacidade de adaptação das empresas catarinenses. “Muito por mérito do empresariado catarinense, que conseguiu realocar produção e exportação para outros destinos, a gente acabou obtendo até um incremento de exportações em relação ao ano anterior”, explicou Bittencourt. Ele acrescenta que “as exportações de aves se devem a essa capacidade de explorar novos mercados”.

Argentina impulsiona resultado positivo
Em sentido oposto, as exportações para a Argentina cresceram quase 19%, totalizando US$ 889 milhões em 2025. Para o economista da FIESC, o desempenho está ligado à retomada econômica do país vizinho. “A recuperação econômica da Argentina, que tem forte integração com a economia catarinense, também foi decisiva para um resultado positivo da balança comercial e para o recorde de exportações”, afirmou.
Expectativas para 2026
A avaliação para 2026 é positiva. Segundo Pablo Bittencourt, já existem tratativas entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos que indicam a possibilidade de redução das barreiras tarifárias. “Só isso já levaria rapidamente a uma melhora no volume de exportações para os Estados Unidos, que continuam sendo o nosso principal mercado exportador”, ressaltou.
Ele também aponta perspectivas favoráveis na União Europeia, que passou a ocupar a segunda posição entre os principais mercados catarinenses. “Há uma perspectiva de melhora da renda na União Europeia”, observou. Em relação à China, o economista destaca a expectativa de retomada. “Também há boas perspectivas de volta das exportações para a China, como fruto da queda das restrições sanitárias”, completou.
Importações
No movimento inverso das exportações, as importações catarinenses apresentaram leve alta de 0,7% em 2025, atingindo quase US$ 34 bilhões no período.