Uso do Mounjaro para emagrecimento exige cautela e acompanhamento profissional, alertam especialistas
O uso do medicamento Monjaro, indicado originalmente para o tratamento do diabetes tipo 2, tem crescido no Brasil como alternativa para emagrecimento. Impulsionada pela busca por resultados rápidos e pela influência das redes sociais, a prática acende um alerta entre especialistas sobre os riscos do uso sem orientação profissional e sem mudanças no estilo de vida.
Assim como ocorreu com outros medicamentos da mesma classe, como o Ozempic, o Monjaro passou a ser utilizado por pessoas que buscam emagrecimento acelerado. Apesar de a perda de peso ser observada em alguns casos, especialistas alertam que o uso indiscriminado pode trazer riscos importantes à saúde e reforçam que o emagrecimento saudável não depende apenas de medicamentos.
A educadora física Kátia Menegasso explica que o emagrecimento saudável não se resume ao uso de medicamentos e deve começar pela definição de metas realistas e por mudanças sustentáveis na rotina. Segundo ela, focar apenas em resultados rápidos pode comprometer a saúde a médio e longo prazo.

Entre as orientações para um emagrecimento mais seguro, Kátia destaca a importância de evitar objetivos inalcançáveis e priorizar metas de longo prazo. Ela também reforça a necessidade de uma alimentação equilibrada, com alimentos ricos em nutrientes.
“Evite objetivos possivelmente inalcançáveis. Foque em metas a longo prazo. Priorize alimentos ricos em nutrientes. Uma dica que dou é iniciar o hábito de preparar a sua própria refeição. Assim, você terá mais controle do que estará ingerindo,” orienta, ao destacar que a busca por acompanhamento profissional é fundamental para ajustar e monitorar o progresso.
Outro ponto de atenção é a perda de massa muscular, comum quando o emagrecimento acontece de forma muito rápida, especialmente sem a prática de exercícios de força. Kátia alerta que o corpo pode utilizar o músculo como fonte de energia.
“Quando a perda de peso acontece muito rápida, o corpo não perde só gordura, ele também pode usar o músculo como fonte de energia. E se esses remédios forem utilizados sem a devida indicação, eles podem induzir a problemas mais graves, como a sarcopenia”, alerta.
A ausência de atividade física ainda favorece o chamado efeito sanfona, quando o peso perdido é recuperado em pouco tempo. Sem o fortalecimento muscular, o metabolismo tende a desacelerar, o que pode gerar flacidez, fraqueza e maior chance de recuperação do peso eliminado.
Por isso, a recomendação é que o uso de medicamentos, quando indicado, esteja sempre associado à prática de atividade física. Para quem está começando, a orientação é criar uma rotina simples e possível de manter, combinando exercícios de força com atividades prazerosas, como caminhada, dança, bicicleta ou natação, duas a três vezes por semana. Além de contribuir para o emagrecimento, o exercício físico oferece benefícios que os medicamentos não proporcionam.
“O exercício preserva e constrói o músculo, mantém o metabolismo ativo, melhora a força, a disposição, a saúde vascular, a qualidade do sono e a saúde mental”, destaca Kátia.
Já os medicamentos, embora ajudem a reduzir o apetite, podem estar associados a efeitos colaterais, como ansiedade ou problemas cardíacos. Ao final, a especialista reforça que saúde não se resume ao número na balança. Resultados duradouros dependem da combinação entre alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e mudança de hábitos, sempre com orientação adequada.
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